Este texto também foi publicano no jornal e portal O Tempo.
A fila é gigantesca, chega quase a dobrar a esquina. Os preços em liquidação, as lojas lotadas e o empurra-empurra parecem cena de filme. Poderiam ser uma bela ação, mas aproximam-se mais do drama. Diz-se por aí que é o espírito natalino contagiando as pessoas.
Eu não conheço muito bem de espíritos, mas tenho a leve sensação de que toda essa bagunça pela cidade, o desejo por comprar mais (ou por vender mais) a expectativa pelas festas servidas a bebidas sem moderação, e todas as outras tragédias deste período do ano, não correspondem ao Natal.
Posso estar errado, mas penso assim. Sempre acreditei no Natal como um período de renovação, não apenas do guarda-roupa; como um momento de reflexão, não sobre qual preço está mais em conta; enquanto uma oportunidade de se preparar para o novo que vai chegar, e não estou falando dos presentes ainda nas caixas. Talvez eu nunca tenha entendido mesmo o valor que tentaram me passar sobre esta data.
Talvez eu tenha corrompido, com os meus sonhos por um mundo melhor, todas as fantasias que diziam existir. Pode ser que eu tenha criado a magia em meus próprios olhos, por acreditar em algo que interpretei erroneamente. Mas, ainda assim, prefiro persistir naquilo que entendi com os sentimentos. E a partir dessa minha visão - sinto muito se vou lhes desapontar - mas não é Natal ainda. Não lá fora, nos mercados, nas ruas, nas luzes piscando efusivamente para te conquistar. Talvez seja Natal aí dentro, no seu coração, como tem sido diariamente aqui em mim...

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